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01 de June, 2020

Evoltz paga R$232 milhões por fatiada Eletrobras em Linhão

A transmissora Evoltz adquiriu a fatia de 49,5% da Eletrobras na Manaus Transmissora de Energia (MTE), sociedade de propósito específico que detém a concessão de uma linha de transmissão no Norte do país.

A compra custou R$ 232 milhões e ocorreu no âmbito de um processo competitivo instaurado pela Eletrobras no ano passado para a alienação de participações societárias não arrematadas em um leilão anterior. A transação ainda precisa passar pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Depois de aprovada, a Evoltz será controladora integral da linha, que tem 558 quilômetros de extensão e atravessa 12 municípios do Pará e Amazonas.

De acordo com o CEO da Evoltz, João Nogueira Batista, a aquisição se encaixa na estratégia da empresa de se tornar um agente relevante no segmento de transmissão de energia.

Ainda pouco conhecida, a Evoltz é controlada por um fundo de investimento sob gestão da TPG Capital e foi criada para reunir os ativos de transmissão operacionais adquiridos pela gestora americana no processo de recuperação judicial da Abengoa no Brasil. Nos últimos dois anos, a companhia esteve num processo de “arrumação da casa”, que envolveu limpeza de passivos e reestruturação financeira, e agora vem montando a estratégia para expandir suas operações.

Hoje, a companhia detém sete linhas de transmissão, com cerca de 3,5 mil quilômetros, concentrados na região da Amazônia Legal, e que somam receita anual permitida (RAP) de aproximadamente R$ 500 milhões.

Batista destaca que a transação com a Eletrobras só avançou em meio à crise gerada pela pandemia da covid-19 por causa do marco regulatório do setor elétrico, que inspira confiança e tranquilidade a investidores. “Se estivéssemos falando de outro setor, sem uma agência reguladora como a Aneel, ou um marco regulatório reconhecido, certamente não avançaria”.

Segundo o executivo, a companhia continua concentrada na estratégia de consolidação societária via aquisição de fatias minoritárias, sobre as quais têm direito de preferência. Além da MTE, a Evoltz comprou, no fim do ano passado e por um valor não revelado, a participação da Embrade (grupo BMG) na linha “ATE VIII”, situada no Pará.

A Evoltz tem sócios ainda em dois empreendimentos, inclusive no maior de seu portfólio: a Norte Brasil Transmissora de Energia (NBTE), linha de corrente contínua com 2,4 mil quilômetros que conecta Rondônia a São Paulo. Essa concessão é dividida com a Eletronorte , que detém fatia de 49%. Em um ativo menor, o ATE IV, 23,6% são da estatal espanhola de fomento Compañía Española de Financiación del Desarollo (Cofides).

Dada a condição atual de mercado, o presidente da Evoltz acredita que falar em novos investimentos seria “prematuro”. (L.F.)

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